O Brasil alcançou 93,6% dos domicílios com acesso à internet, de acordo com a mais recente edição da PNAD Contínua TIC do IBGE. No mesmo período, o país ultrapassou 25 milhões de acessos ativos de banda larga fixa. A expansão das redes de fibra óptica fora das capitais explica parte relevante desse crescimento. Dados da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) indicam que a fibra já é a principal tecnologia de acesso e sustenta um dos ciclos mais intensos de avanço da conectividade na última década, com aumento no volume de acessos e na velocidade média entregue ao usuário.
A mudança estrutural começou há cerca de uma década, quando provedores de pequeno e médio porte decidiram investir em redes próprias de fibra óptica. Municípios de Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais e estados do Nordeste passaram a contar com infraestrutura de alta capacidade em localidades que antes registravam conexões instáveis ou ausência de serviço. O novo desenho ampliou a concorrência, reduziu preços e elevou o padrão técnico do setor.
No litoral catarinense, a Unetvale expandiu sua rede de Tijucas, para Porto Belo, Balneário Piçarras, Bombinhas, Canelinha, São João Batista, Nova Trento, Brusque, Governador Celso Ramos, Biguaçu e Navegantes, com oferta de fibra óptica e serviços integrados.
Para Marcelo Letti, diretor da empresa, o avanço da conectividade no país tem origem na atuação local. “A transformação digital no Brasil não nasceu apenas nas capitais. Ela avançou cidade a cidade. Provedores regionais investiram onde não havia interesse das grandes operadoras e hoje sustentam parte relevante da infraestrutura que mantém o país conectado”, afirma.
Segundo ele, o impacto ultrapassa o setor de telecomunicações. A banda larga passou a funcionar como infraestrutura econômica. Pequenos comércios migraram para plataformas digitais, prestadores de serviço ampliaram mercado por meio de redes sociais e escolas adotaram modelos híbridos de ensino.
O relatório aponta ainda que após a pandemia, a conexão se tornou ferramenta de inclusão produtiva. As famílias passaram a acessar serviços bancários, consultas médicas e cursos técnicos de forma remota. Microempresas estruturaram operações em cidades menores, com menor custo fixo e maior alcance digital.
Atualmente, provedores regionais respondem por parcela relevante dos acessos de banda larga fixa no país e operam com padrão tecnológico equivalente ao das grandes companhias.
“A expansão da fibra no interior desenhou um novo mapa de conectividade brasileira e alterou a dinâmica econômica de milhares de municípios”, finaliza Letti.


