Com a digitalização da sociedade, os consumidores que antes estavam limitados a comprar em ambientes físicos agora dispõem de ferramentas digitais que facilitam a procura por produtos e serviços. Essa mudança de comportamento possibilitou que as marcas alcançassem novos públicos e, consequentemente, precisassem ampliar a quantidade de soluções disponíveis para venda. Nesse contexto, a evolução tecnológica surge como resposta para viabilizar a hiperprodução. De acordo com a 4ª edição da pesquisa da Bain & Company sobre a adoção da IA generativa, as empresas que implementam essa tecnologia têm registrado um aumento de 14% na produtividade e um crescimento de 9% nos resultados financeiros.
Diante desse cenário, vemos que o aumento da procura levou a um mercado mais acirrado entre os concorrentes. Para Gustavo Caetano, CEO e fundador da Sambatech, especialista em desenvolver soluções digitais inteligentes e eficazes com foco em Inteligência Artificial, para se destacar entre tantas empresas, a antecipação de tendências se torna peça-chave nesse processo. “Os agentes de IA são ferramentas capazes de coletar e analisar grandes volumes de dados, como o tipo de roupa mais procurado no momento ou as ofertas que fazem o consumidor ficar mais tempo dentro do site. Com esses insights, as marcas adaptam o espaço digital conforme as novas tendências antes mesmo do consumidor perceber a mudança do seu comportamento”, afirma o executivo.
Outra mudança impulsionada pela tecnologia é que a fronteira entre o físico e o digital se tornou cada vez mais tênue. No estudo E-commerce Trends 2026, realizado pela Octadesk em parceria com o Opinion Box, 86% dos respondentes afirmam já ter pesquisado em uma loja física e comprado online, enquanto 71% fizeram o caminho inverso. “O consumidor já não separa mais o online do offline. Para ele, tudo faz parte de uma única jornada. Por isso, as estratégias precisam ser pensadas de forma realmente omnicanal e integrada”, afirma Amanda Sobrinho, Gerente Comercial da Unlimitail, joint venture entre o Grupo Carrefour e o Grupo Publicis, criada para atender ao crescente mercado de Retail Media na Europa e na América Latina.“Com Retail Media, conseguimos transformar dados em inteligência para conectar todos os pontos dessa jornada. Identificamos, por exemplo, quais produtos estão sendo mais pesquisados no ambiente digital e usamos essas informações para orientar ativações e posicionamento estratégico no ponto de venda. Quando dados, mídia e experiência de compra trabalham juntos, conseguimos antecipar a intenção do consumidor e influenciar a decisão de compra de forma muito mais eficiente”, complementa Amanda.
Com essa presença crescente no ambiente cibernético, se destacar é também antecipar os riscos. Segundo o Relatório de Ameaças de Dados da Thales de 2026, conduzido pela S&P Global 451 Research, apenas 34% das organizações sabem onde os seus dados estão armazenados. Para Paulo Lima, CEO da Skynova, empresa destaque em serviços de e-mail corporativo, cloud computing e segurança digital, a nuvem deve ter a IA no centro do seu desenvolvimento para conseguir rastrear as transações e identificar anomalias em tempo real. “No Dia do Consumidor, o que diferencia as empresas não é só a experiência de compra, mas a confiança que elas transmitem. Com o volume de dados gerado nas interações digitais, a segurança deixou de ser um tema de TI e passou a ser um ativo de negócio. Usamos inteligência artificial para identificar padrões e antecipar riscos em tempo real, mas a grande virada está em transformar esses dados em decisões estratégicas e não apenas em alertas técnicos.” , afirma Lima.
Para Aluísio Cirino, CEO da Alloyal, Loyalty Tech que entrega mais vendas, engajamento e retenção de usuários para empresas por meio de soluções personalizadas de fidelidade, antecipar tendências passa, necessariamente, por estruturar dados e relacionamento de forma estratégica. “No Dia do Consumidor, muitas marcas ainda concentram esforços apenas na conversão imediata. Mas o diferencial competitivo está em transformar picos sazonais em oportunidades de recorrência. Quando a empresa utiliza dados de comportamento para personalizar ofertas, criar jornadas inteligentes e ativar programas de fidelidade integrados aos canais digitais, ela deixa de reagir ao mercado e passa a construir previsibilidade de receita”, afirma o executivo.
Thiago Hortolan, CEO da Tech Rocket, afirma que antecipar tendências passa por entender rapidamente como o comportamento do consumidor está mudando. “Hoje as empresas têm acesso a uma quantidade enorme de dados sobre preferências, frequência de compra e sensibilidade a preço. O desafio é transformar essas informações em ações práticas. Datas como o Dia do Consumidor são uma boa oportunidade para testar abordagens, observar padrões de compra e ajustar ofertas em tempo real. Quem consegue fazer essa leitura com agilidade entrega experiências mais relevantes e cria uma relação mais consistente com o cliente”.
Focando na construção de relacionamentos entre marcas e público, ouvir o cliente deixou de ser uma boa prática de atendimento para se tornar um insumo estratégico. Para Thiago Leon Marti, Head de Branding, Design e Comunicação da Printi, compreender as reais necessidades do público e converter críticas em aprendizado é um pilar da estratégia centrada no consumidor. “Durante nosso processo de rebranding, recebemos diversos comentários, inclusive críticas. Em vez de ignorar esse feedback, decidimos analisá-lo para entender os motivos. Esse diálogo nos permitiu ajustar rotas, aprimorar produtos e reforçar nossa proposta de valor. O resultado foi um impacto direto nos indicadores de crescimento. No fim, ouvir o consumidor não é apenas responder a mensagens, mas construir soluções que façam sentido para quem está do outro lado”, afirma o executivo.
No Dia do Consumidor, a segurança de dados é o que define a credibilidade de uma marca. Com a ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) intensificando a fiscalização do cumprimento da LGPD (Lei Geral de Proteção de Dados) em 2026, empresas que não automatizam sua governança ficam expostas a riscos e multas. Para Ricardo Maravalhas, CEO da DPOnet, a privacidade é a base da confiança:“O consumidor atual não compra apenas preço, ele compra segurança. Estar em conformidade com a LGPD e as diretrizes da ANPD não é só evitar sanções, é construir uma reputação sólida. Quando a empresa blinda os dados e combate fraudes, ela ganha a lealdade que nenhuma promoção substitui”, afirma Maravalhas.


